Demanda global por terras raras deve subir mais de 30% até 2030, aponta IEA

David Becker

Relatório da Agência Internacional de Energia destaca crescimento do consumo e desafios da cadeia de suprimentos

IEA projeta que a demanda por terras raras magnéticas aumentará mais de 30% até 2030, impulsionada por veículos elétricos e energia renovável.

Expectativa de aumento na demanda por terras raras até 2030

A demanda por terras raras magnéticas deve crescer mais de 30% até 2030, segundo relatório divulgado pela Agência Internacional de Energia (IEA) em 8 de fevereiro de 2026. Este aumento é impulsionado principalmente pelo crescimento do mercado de veículos elétricos e pela expansão das fontes de energia renovável, como turbinas eólicas. A IEA projeta que o consumo global ultrapasse 120 mil toneladas no fim da década.

Impacto dos veículos elétricos na demanda por terras raras

Os motores de veículos elétricos estão se tornando a principal força motriz na demanda por terras raras magnéticas. A participação desses motores no consumo total deve dobrar até 2030, refletindo a transição global para a mobilidade sustentável. Estes motores dependem de ímãs permanentes feitos com terras raras, que garantem alta eficiência energética e desempenho.

Investimentos necessários para diversificação da cadeia produtiva

Para reduzir a concentração do mercado, atualmente dominado pela China, a IEA estima que serão necessários cerca de US$ 60 bilhões em investimentos na próxima década. Estes recursos devem ser aplicados em mineração, refino e fabricação de ímãs, abrangendo projetos já anunciados e novos empreendimentos que possam suprir a crescente demanda. A concentração da oferta nas mãos da China representa 60% da mineração, 91% do refino e 94% da fabricação dos ímãs permanentes.

O papel do Brasil no cenário global de terras raras

O Brasil é citado no relatório em duas frentes importantes. Primeiramente, destaca-se a Serra Verde, em Goiás, onde um projeto utiliza métodos de processamento ambientalmente menos agressivos, baseados em sais, evitando o uso de ácidos fortes. Esta tecnologia pode ser um modelo para países com depósitos de argila iônica, como o Brasil.

Em segundo lugar, o projeto Caldeira, da australiana Meteoric Resources em Minas Gerais, é um dos principais fora da China. A empresa opera uma planta-piloto e produz carbonato misto de terras raras, um produto intermediário antes da separação final dos elementos, sinalizando avanço tecnológico e potencial de expansão da oferta nacional.

Relevância econômica e ambiental da exploração de terras raras

Depósitos de argila iônica, como os explorados no Brasil, são considerados promissores por permitirem extração menos intensiva e com menor impacto ambiental em comparação aos depósitos de rocha dura. Estes métodos potencialmente reduzem o consumo de energia e a geração de rejeitos, favorecendo a sustentabilidade do setor.

Desafios futuros e a importância da inovação na cadeia de suprimentos

A crescente demanda global por terras raras requer inovação tecnológica e investimentos robustos para garantir uma cadeia de suprimentos segura, diversificada e ambientalmente responsável. Países com potencial mineral, como o Brasil, podem desempenhar papel estratégico, desde que avancem em tecnologias de processamento e capitais para expandir sua participação no mercado mundial.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: David Becker

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