FMI aponta perda econômica de até 7% do pib em países em guerra em cinco anos

Majid Asgaripour/WANA via REUTERS

Análise detalha impactos profundos e duradouros dos conflitos armados nas economias e sociedades afetadas

Estudo do FMI revela que guerras podem causar queda acumulada de até 7% do PIB em cinco anos, com impactos econômicos e sociais graves.

Impactos econômicos imediatos e de longo prazo da perda econômica países em guerra

A perda econômica países em guerra representa um desafio significativo para as nações envolvidas, com consequências imediatas e prolongadas que afetam profundamente a estrutura produtiva e social. Conforme análise do Fundo Monetário Internacional (FMI), os países que enfrentam conflitos armados geralmente experimentam uma queda inicial média de 3% no Produto Interno Bruto (PIB), que pode se aprofundar, atingindo perdas acumuladas de cerca de 7% em cinco anos.

Essa redução no PIB reflete contrações sustentadas no investimento e no consumo privado, enquanto o consumo governamental tende a se manter estável, mas com mudanças na composição dos gastos, especialmente com o aumento das despesas militares. O comércio externo sofre deterioração significativa, com importações e exportações em queda, e o saldo comercial inicialmente se amplia devido à compressão das importações diante da redução das reservas cambiais.

Comparação das perdas econômicas com outras crises globais

As perdas provocadas por guerras são quantitativamente superiores àquelas causadas por crises financeiras típicas, como bancárias, cambiais ou de dívida, e a desastres naturais severos. O FMI destaca que mesmo conflitos de menor intensidade geram quedas estatisticamente significativas no produto, comparáveis às perdas associadas a crises cambiais. Essa constatação evidencia a magnitude do impacto econômico dos conflitos armados, que ultrapassam os efeitos de outras crises convencionais.

Aspectos fiscais e monetários durante o conflito

Durante períodos de guerra, os governos enfrentam deterioração das suas posições fiscais, com aumento da dívida pública nos primeiros anos do conflito. A elevada incerteza econômica desencadeia saídas de capital, afetando o investimento estrangeiro direto e os fluxos financeiros de carteira. Para mitigar essas pressões, os governos implementam controles de capitais, embora ainda ocorram depreciações cambiais sustentadas, perda de reservas e pressões inflacionárias.

Essa dinâmica inflacionária leva bancos centrais a elevarem as taxas básicas de juros nominais de curto prazo, buscando conter a alta de preços, que pode acumular até 35% cinco anos após o início do conflito.

Exemplos recentes de conflitos e suas consequências econômicas

O caso da Ucrânia, após a invasão russa em 2022, ilustra os efeitos dramáticos que um conflito pode causar na economia de um país. Medidas extraordinárias foram adotadas para conter o choque, incluindo alterações fiscais, monetárias e financeiras, além da priorização dos gastos em defesa.

Já a Rússia apresenta uma dinâmica distinta, com resiliência inicial sustentada por choques favoráveis nos termos de troca, seguida por aumento da inflação, restrições nas capacidades produtivas e um forte aperto monetário, levando a desaceleração econômica prevista até o fim de 2024.

Cicatrizes econômicas e sociais pós-conflito

Além das perdas econômicas imediatas, os conflitos deixam cicatrizes duradouras na macroeconomia e na vida dos indivíduos. O estoque de capital das nações afetadas pode ser até 4% menor, e o nível de emprego cerca de 3% inferior cinco anos após o início das hostilidades. A produtividade total dos fatores também diminui, refletindo variações significativas entre diferentes países.

No âmbito social, os conflitos provocam aumento significativo no número de mortes e deslocamentos forçados. A exposição à guerra tem efeitos prolongados na saúde dos sobreviventes, deteriorando indicadores de saúde física, mental e cognitiva, conforme dados de 41 países analisados pelo FMI. Esses impactos alcançam gerações subsequentes, afetando educação, fertilidade e condições de vida.

Recuperação econômica e papel do financiamento internacional

O FMI destaca que a estabilização macroeconômica e o engajamento internacional são fundamentais para a recuperação pós-conflito. Casos como Bósnia e Herzegovina, Camboja, Costa do Marfim, Nepal, Ruanda e Sri Lanka evidenciam que a reestruturação da dívida, o desenvolvimento de capacidades e a implementação de políticas sociais inclusivas contribuem para o crescimento robusto após o término das hostilidades.

Esses países conseguiram manter inflação controlada, evitar apreciação cambial excessiva e superar desafios econômicos com o apoio de assistência externa e políticas internas eficazes, promovendo o restabelecimento da competitividade e a retomada do crescimento econômico.

Considerações finais sobre o impacto da perda econômica países em guerra

A análise do FMI mostra que os custos dos conflitos armados vão muito além da simples perturbação econômica imediata. As consequências duradouras impactam o potencial econômico, a estabilidade fiscal e social, e o bem-estar humano, demonstrando a importância de estratégias coordenadas para mitigar riscos e promover a recuperação sustentável em regiões afetadas por guerras.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Majid Asgaripour/WANA via REUTERS

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