Aneel inicia processo de caducidade contra Enel São Paulo por falhas em apagões

Amanda Perobelli

Agência reguladora acusa distribuidora de energia paulista de falhas estruturais na gestão e demora na retomada do fornecimento após eventos climáticos

A Aneel abriu processo de caducidade contra a Enel São Paulo devido a falhas na prestação de serviços durante apagões causados por eventos climáticos.

Processo de caducidade contra Enel São Paulo e seus impactos

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) iniciou nesta terça-feira um processo de caducidade contra a distribuidora Enel São Paulo, após identificar falhas estruturais graves na prestação dos serviços de distribuição de energia. A decisão ocorre após uma investigação técnica detalhada sobre o desempenho da empresa diante dos apagões causados por eventos climáticos extremos, que deixaram milhões de consumidores sem energia na Região Metropolitana de São Paulo.

Este processo representa uma mudança significativa no tratamento da situação, passando de uma fiscalização rotineira para uma medida punitiva mais severa. Além disso, suspende a renovação automática do contrato da Enel, que venceria em 2028, colocando em risco a continuidade da concessão. A medida implica que a empresa terá a oportunidade de apresentar sua defesa antes que uma recomendação formal ao governo brasileiro seja feita, podendo resultar na perda do contrato da concessão.

Falhas apontadas pela Aneel na gestão da Enel durante apagões

De acordo com a Aneel, a Enel São Paulo falhou principalmente no atendimento aos consumidores e na agilidade para restabelecer o fornecimento de energia após os apagões. O plano de recuperação apresentado pela própria empresa em 2024, após um apagão em outubro daquele ano, não foi eficaz diante de novo apagão de grandes proporções em dezembro de 2025.

O órgão regulador destaca que a Enel demorou para restabelecer a energia, com milhares de consumidores ainda sem luz após 24 horas, e casos pontuais de falta de energia que ultrapassaram seis dias. Estes números foram considerados piores do que os de outras distribuidoras em situações similares, evidenciando deficiências na manutenção da rede elétrica, na gestão operacional e nos processos emergenciais adotados.

Reação e argumentos da Enel São Paulo

A Enel São Paulo vem se defendendo do processo com base em pareceres jurídicos que alegam que a Aneel não seguiu o devido processo legal e que avaliações subjetivas sobre o desempenho da distribuidora em eventos climáticos extremos não são adequadas, pois faltariam parâmetros objetivos para tal análise.

Porém, o diretor da Aneel, Gentil Nogueira, relator do processo, contestou esses argumentos, afirmando que as falhas constatadas são estruturais e não foram sanadas de forma definitiva, e que o plano de recuperação foi testado na prática e não apresentou resultados satisfatórios. A decisão do colegiado da agência foi unânime.

Consequências para o setor elétrico e consumidores

A concessão da Enel São Paulo atende cerca de 8 milhões de unidades consumidoras, sendo a segunda maior do país, o que torna as implicações desse processo bastante relevantes para a segurança e a qualidade do serviço elétrico na região.

O avanço do processo pode representar um marco na fiscalização e punição das concessionárias que não cumprem adequadamente seus compromissos, incentivando maior rigor na gestão e melhoria dos serviços oferecidos à população.

Perspectivas futuras para a Enel São Paulo

A suspensão da renovação automática do contrato dificulta a venda da concessão, alternativa adotada por outras empresas em situações semelhantes. A Enel, contudo, já afirmou não ter intenção de vender o ativo e declarou que continuará demonstrando o cumprimento integral dos indicadores contratuais e do plano de recuperação.

A companhia também reforça a necessidade de que qualquer decisão sobre concessões respeite critérios técnicos claros, imparcialidade, o devido processo legal e a ampla defesa, para garantir a segurança jurídica necessária.

Este processo segue agora para uma fase em que a empresa poderá se defender antes da decisão final do órgão regulador e do Poder Concedente, permanecendo sob observação quanto à evolução do caso e suas consequências para o setor e os consumidores.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Amanda Perobelli

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