Presidente do BC Gabriel Galípolo destaca vigilância popular contra alta de preços como aliada na política monetária
Segundo Gabriel Galípolo, sociedade brasileira não tolera mais inflação, favorecendo atuação do Banco Central na política monetária.
No evento promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, 11 de fevereiro de 2026, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, destacou que a sociedade brasileira não tolera mais inflação, o que fortalece a atuação da autoridade monetária no controle dos preços.
Galípolo ressaltou que essa postura da população é extremamente favorável para o BC, pois cria uma vigilância popular contra a alta de preços e permite que o banco central conduza a política monetária com maior respaldo social. Ele enfatizou que não existe nada melhor para um banqueiro central do que a população estar atenta e crítica à inflação.
Desafios e cautela na política monetária diante do cenário global
Durante sua apresentação, Galípolo ressaltou que o Banco Central iniciou um ciclo de calibragem na taxa Selic em março, com uma redução de 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Essa medida foi tomada com cautela, considerando o ambiente de incertezas, sobretudo com a guerra no Irã impactando o cenário econômico global.
Ele explicou que essa cautela tem permitido ao Brasil enfrentar choques externos com maior resiliência, mantendo o crescimento econômico próximo ao potencial e uma taxa de câmbio mais estável, fatores que contribuem para a estabilidade macroeconômica.
Intolerância à inflação versus percepção popular dos salários e preços
De acordo com Galípolo, existe uma dissonância entre o foco dos bancos centrais na inflação em relação à meta oficial e a percepção das pessoas, que avaliam os preços em relação aos seus salários. Essa disparidade entre o aumento dos preços e a evolução dos salários gera desconforto social, mesmo quando indicadores macroeconômicos são positivos.
Ele mencionou que essa nova dinâmica da sociedade, diferente da dos anos 1980, exige uma abordagem mais cuidadosa e calibrada na política monetária, pois a população critica tanto o aumento excessivo dos juros quanto cortes abruptos que possam impactar a inflação.
Reflexos políticos e econômicos da política monetária no Brasil
Galípolo mencionou que, no debate político recente, inclusive se avaliou que o ex-presidente Jair Bolsonaro poderia ter perdido a reeleição em 2022 devido ao patamar muito baixo da Selic durante a pandemia, quando a taxa chegou a 2%, contribuindo para pressões inflacionárias.
Essa avaliação reforça a importância do Banco Central manter uma postura de equilíbrio e independência, ajustando a política monetária conforme as condições econômicas e a percepção social.
O papel do Banco Central na consolidação da estabilidade econômica
O presidente do BC reforçou que a estratégia da instituição tem sido agir com serenidade, tomando o tempo necessário para entender melhor os desafios econômicos e assegurar decisões mais seguras. Essa postura é vista como fundamental para garantir o controle da inflação, preservar a confiança dos agentes econômicos e apoiar o crescimento sustentável do país.
Gabriel Galípolo concluiu destacando que a vigilância da sociedade brasileira contra a inflação é um aliado precioso para o Banco Central, tornando o combate à alta de preços uma prioridade compartilhada entre a autoridade monetária e a população.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Fernanda Luz