FMI alerta para riscos da economia tokenizada na aceleração de crises financeiras

Michael Nagle/Bloomberg

Fundo Monetário Internacional destaca vulnerabilidades e necessidade de regulação proativa frente à adoção da tokenização no sistema financeiro global

FMI alerta que a economia tokenizada pode acelerar crises financeiras, reduzindo o tempo de resposta dos reguladores e exigindo políticas estruturais.

Panorama da economia tokenizada e alerta do FMI

A economia tokenizada representa uma transformação profunda no sistema financeiro global, convertendo ativos tradicionais em tokens digitais negociados em plataformas baseadas em blockchain. Segundo o relatório divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a adoção dessa tecnologia pode acelerar crises financeiras ao reduzir significativamente o tempo disponível para que reguladores e bancos centrais atuem, o que representa um desafio à estabilidade econômica.

Tobias Adrian, economista do FMI, destaca que a tokenização não é apenas uma melhoria incremental na eficiência, mas uma mudança estrutural que altera a arquitetura fundamental do mercado financeiro. A liquidação instantânea e contínua das operações elimina os atrasos tradicionais que funcionavam como amortecedores em momentos de estresse.

Impactos da liquidação instantânea e operação 24 horas

A liquidação instantânea, uma característica central da economia tokenizada, permite que operações financeiras sejam concluídas sem os atrasos comuns nos sistemas atuais. Se por um lado isso reduz custos e agiliza transações, por outro, pode precipitar eventos de crise, já que as chamadas de margem e outras medidas de proteção são acionadas com maior rapidez, deixando menos tempo para intervenções regulatórias.

Além disso, o funcionamento contínuo 24 horas por dia dos sistemas tokenizados desafia os modelos tradicionais de assistência emergencial dos bancos centrais, que foram concebidos para crises durante o horário comercial. Isso pode limitar a capacidade das autoridades em responder eficazmente a eventos repentinos fora do horário convencional.

Desafios das stablecoins privadas na tokenização

O relatório do FMI chama atenção para a crescente utilização de stablecoins privadas como ativos de liquidação nessas plataformas. Embora estas moedas digitais ofereçam estabilidade em períodos normais, elas são comparáveis a fundos de mercado monetário e, portanto, vulneráveis a corridas em tempos de turbulência financeira. Essa vulnerabilidade pode amplificar riscos sistêmicos no sistema financeiro tokenizado.

Cenários futuros e necessidade de políticas estruturais

O FMI traça três possíveis cenários para a evolução das finanças tokenizadas: um sistema coordenado com moedas digitais emitidas por bancos centrais; um mosaico fragmentado de plataformas nacionais incompatíveis; ou um domínio das stablecoins privadas, onde os mecanismos públicos de proteção perdem força.

Adrian enfatiza que a formulação de políticas deve levar em conta a realocação estrutural da confiança e do risco que a tokenização traz, propondo a ancoragem da liquidação em dinheiro seguro e a clarificação do status legal dos ativos tokenizados.

Importância da regulação proativa para mitigar riscos

Para o FMI, a janela de oportunidade para moldar a arquitetura do sistema financeiro tokenizado está aberta, exigindo engajamento proativo dos formuladores de políticas para antecipar e responder às mudanças estruturais decorrentes da transformação digital. A ausência de medidas adequadas pode resultar em crises financeiras mais rápidas e mais difíceis de controlar, colocando em risco a estabilidade econômica global.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Michael Nagle/Bloomberg

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