Crescimento de 22,7 milhões de pessoas inadimplentes revela desafios econômicos e preocupa lideranças
Em uma década, o Brasil viu um aumento de 22,7 milhões de inadimplentes, com destaque para dívidas em bancos e cartão de crédito.
Panorama do aumento de inadimplentes no Brasil entre 2016 e 2026
O aumento de inadimplentes no Brasil nos últimos dez anos é um indicativo claro de desafios econômicos crescentes no país. Dados da Serasa divulgados em 29/03/2026 revelam que o número de pessoas com dívidas não pagas subiu de 59 milhões para impressionantes 81,7 milhões, um crescimento de 38,47%, muito superior ao aumento da população geral, que cresceu apenas 3,7% no mesmo período. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem manifestado preocupação com esse cenário, questionando a aparente contradição entre o menor desemprego da história e o crescimento da inadimplência.
Origem das dívidas e setores que impactam a inadimplência
A análise detalhada do relatório Mapa da Inadimplência do Brasil: 10 anos aponta que bancos e financeiras são responsáveis por 47,1% das dívidas que levam à inadimplência, um salto significativo frente aos 32,7% em 2016. Contas básicas, como energia e água, representam 21,4%, seguidas pelos serviços com 11,6%, varejo com 8,2%, outros setores 6,8% e telefonia 4,9%. Esse aumento concentra-se principalmente em dívidas originadas por cartão de crédito, que passaram de 13,9% para 21,4% no período, e são uma das maiores preocupações das autoridades devido aos juros extremamente altos cobrados no rotativo, que podem chegar a 1.216,55% ao ano.
Impacto dos juros abusivos e papel dos cartões de crédito na inadimplência
O Banco Central, através do presidente Gabriel Galípolo, tem alertado para o impacto dos juros abusivos dos cartões de crédito no aumento da inadimplência. Cerca de 100 milhões de brasileiros estão sujeitos a essa cobrança elevada, o que eleva o comprometimento da renda familiar e dificulta a quitação das dívidas. O endividamento das famílias atingiu 49,7% ao final de 2025, com o comprometimento da renda chegando a 29,2%. Embora o Banco Central não tenha intenção direta de intervir nos juros praticados, essa questão permanece um ponto crítico para a estabilidade financeira das famílias.
Contradições econômicas e preocupações do governo federal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a contradição presente na economia brasileira: mesmo com o desemprego no menor nível histórico e aumento da massa salarial, a sensação social é de dificuldades financeiras e alta inadimplência. Lula tem enfatizado que o governo está empenhado em buscar soluções que aliviem a pressão sobre as famílias endividadas, reconhecendo a complexidade da situação e a necessidade de medidas eficazes para melhorar o cenário.
Desafios futuros e possíveis estratégias para combater a inadimplência
O crescimento acelerado da inadimplência exige respostas coordenadas entre governo, instituições financeiras e sociedade civil. Estratégias devem envolver educação financeira, incentivo à renegociação de dívidas e revisão das práticas de cobrança, especialmente no que tange aos juros praticados pelos cartões de crédito. O diálogo entre Banco Central e o Executivo poderá gerar políticas que mitiguem a crise atual e previnam o agravamento do endividamento das famílias brasileiras.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Marcos Santos/USP Images