Brasil registra aumento no desemprego e desafios no mercado de trabalho em fevereiro

Amanda Perobelli/Reuters

Taxa de desemprego sobe para 5,8% no trimestre até fevereiro com impacto em setores públicos e da construção

Desemprego no Brasil chega a 5,8% no trimestre até fevereiro, refletindo perdas em saúde, educação e construção, segundo IBGE.

panorama do desemprego no Brasil até fevereiro de 2026

A taxa de desemprego no Brasil alcançou 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, segundo dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa elevação comparada ao trimestre encerrado em janeiro reflete um aumento de 600 mil pessoas buscando emprego sem sucesso, totalizando 6,2 milhões de desempregados. A coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, destaca que a alta está relacionada à perda de vagas em setores como saúde, educação e construção, setores tradicionalmente afetados por efeitos sazonais no início do ano.

impacto da sazonalidade nos setores público e da construção

O crescimento do desemprego é particularmente influenciado pela diminuição de postos na administração pública e nos segmentos de defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que juntos registraram a perda de cerca de 696 mil vagas. A queda também foi expressiva na construção civil, com a redução de 245 mil postos. Esses movimentos refletem a sazonalidade dos contratos temporários no setor público e a menor demanda por obras e reparos nas residências no começo do ano, fenômeno comum que gera volatilidade na ocupação desses segmentos.

indicadores da população ocupada e categorias de trabalho

No período analisado, a população ocupada no país apresentou queda de 0,8% em relação ao trimestre anterior, com redução de 874 mil pessoas empregadas. Apesar disso, houve crescimento de 1,5% em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior, equivalente a 1,5 milhão de pessoas a mais trabalhando. No setor privado, cerca de 39,2 milhões de pessoas possuíam carteira assinada, mantendo estabilidade no período. Trabalhadores por conta própria somaram 26,1 milhões, também estáveis, assim como os empregadores e trabalhadores domésticos. Contudo, a quantidade de empregados sem carteira assinada diminuiu em 342 mil pessoas, e o setor público também apresentou queda significativa de 3,7% na ocupação.

aumento da subutilização da força de trabalho e seus efeitos

Além do desemprego, a taxa composta de subutilização da força de trabalho, que inclui desocupados, subocupados e trabalhadores na força potencial, subiu de 13,5% para 14,1%, o que representa cerca de 16,1 milhões de pessoas subutilizadas. Esse aumento indica que o mercado de trabalho brasileiro ainda enfrenta desafios para absorver a mão de obra disponível, com um contingente crescente de trabalhadores enfrentando jornadas reduzidas ou dificuldades para encontrar ocupação adequada.

rendimento médio real e perspectivas para o mercado de trabalho

Apesar do cenário desafiador, o rendimento real habitual dos trabalhadores brasileiros alcançou R$ 3.679, um recorde histórico, com aumento de 2,0% no trimestre e 5,2% em relação ao ano anterior. Esse dado sinaliza uma melhora na qualidade do emprego para aqueles que estão ocupados. Contudo, a conjuntura de desemprego e subutilização demanda políticas públicas e estratégias empresariais para estimular a geração de empregos estáveis e ampliar a capacidade do mercado de trabalho para absorver a crescente oferta de mão de obra.

Fonte: www.infomoney.com.br

Fonte: Amanda Perobelli/Reuters

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