Defesa de Carla Zambelli anuncia recurso contra decisão da Justiça italiana que autorizou extradição ao Brasil
Advogados terão prazo de 15 dias para recorrer; decisão final ainda depende de manifestação do ministro da Justiça da Itália.
Justiça italiana autoriza extradição e defesa anuncia recurso
A Justiça italiana autorizou, nesta quinta-feira (26), a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. A decisão foi tomada pela Corte de Apelação da Itália, responsável por analisar o pedido encaminhado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A defesa da ex-parlamentar informou que irá recorrer da decisão e terá prazo de 15 dias para apresentar o recurso.
O mesmo prazo é aguardado para a manifestação do ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, cujo posicionamento será determinante para a efetivação — ou não — da extradição. Até que haja decisão final, o processo segue em análise pelas autoridades italianas.
Prisão em Roma e situação jurídica da ex-deputada
Carla Zambelli está presa em Roma desde julho de 2025, após ser incluída na lista vermelha da Interpol. A detenção ocorreu semanas depois de sua saída do Brasil, país do qual também possui cidadania italiana. As autoridades italianas decidiram mantê-la sob custódia diante do risco de fuga.
Condenada pelo STF a 10 anos de prisão em regime fechado, Zambelli responde por envolvimento na invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ação executada pelo hacker Walter Delgatti Neto. Segundo a investigação, foram inseridos documentos falsos em sistemas oficiais com o objetivo de comprometer a credibilidade da Justiça brasileira.
Fuga do Brasil e pedido de extradição
A ex-deputada deixou o Brasil em maio de 2025, pouco antes do trânsito em julgado de um dos processos no STF. Ela atravessou a fronteira com a Argentina, seguiu para os Estados Unidos e posteriormente chegou à Itália. Com a fuga, passou a ser considerada foragida da Justiça brasileira.
Diante do cenário, o STF formalizou o pedido de extradição, encaminhado às autoridades italianas por meio do governo brasileiro. O processo tramita na Justiça italiana e ainda depende de decisão final do Executivo local para ser cumprido.
Cronologia do caso e desdobramentos
Em maio de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Zambelli e Walter Delgatti pela invasão ao sistema do CNJ. A ex-deputada recebeu pena de 10 anos de prisão, além da perda do mandato. Já o hacker foi condenado a oito anos e três meses de reclusão.
No mês seguinte, após o esgotamento dos recursos, o STF determinou a prisão definitiva e solicitou a extradição. Zambelli, no entanto, já havia deixado o país. Em dezembro de 2025, o Supremo confirmou a cassação do mandato, e a ex-parlamentar formalizou sua renúncia à Câmara dos Deputados.
Nos últimos meses, o processo de extradição passou por adiamentos, incluindo paralisações por greve de advogados e apresentação de novos documentos pela defesa. A expectativa da equipe jurídica é que, considerando os prazos e trâmites legais, uma eventual extradição possa ocorrer em cerca de três meses.
Próximos passos e possíveis cenários
Com a autorização da Justiça italiana e o anúncio de recurso pela defesa, o caso entra em uma nova fase. A decisão final dependerá tanto da análise judicial quanto do posicionamento do ministro da Justiça da Itália, responsável por validar ou não a entrega da ex-deputada às autoridades brasileiras.
Caso a extradição seja confirmada, Zambelli deverá cumprir pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. O desfecho do caso poderá influenciar futuras cooperações internacionais em processos envolvendo autoridades brasileiras.
Fonte: R7, g1 e agências
Fonte: Agência Brasil