Goldman Sachs revisa projeções para a Selic diante do impacto global do conflito no Oriente Médio
A alta do petróleo em 2026 leva Goldman Sachs a projetar aumento na taxa Selic e inflação mais elevada no Brasil e América Latina.
Contexto global do impacto da alta do petróleo em 2026
A alta do petróleo está no centro das revisões econômicas para 2026. Segundo um relatório divulgado em 25 de fevereiro pela equipe de Commodities do Goldman Sachs, a crise no Oriente Médio, com a quase total interrupção dos fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz, elevou o preço da commodity para uma média estimada de US$ 85 ao longo do ano. O banco alerta que, caso o conflito persista, o valor do barril pode ultrapassar o recorde histórico registrado em 2008. Essa alta tem efeito direto na inflação global e no aperto das condições financeiras.
Efeitos na inflação e política monetária na América Latina
O choque energético atua como um “imposto global”, conforme destaca o Goldman Sachs, ao combinar inflação resistente com restrições financeiras severas. Para a América Latina, a consequência imediata é o aumento da inflação na região, que foi revisada para 7,6% em 2026, contra uma previsão anterior de 6,6%. Os bancos centrais latino-americanos enfrentam o desafio de equilibrar a pressão inflacionária crescente e a necessidade de manter o crescimento. O Brasil, mesmo sendo exportador líquido de petróleo, não está imune, já que seus custos de produção e expectativas inflacionárias influenciam a política monetária.
Reajuste da taxa Selic no Brasil e perspectivas econômicas
Diante desse cenário, o Goldman Sachs revisou a projeção da taxa Selic no Brasil para 12,75% ao final de 2026, contra previsão anterior de 12,50%. Embora o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha uma régua alta para novos aumentos, o banco aponta que o ciclo de flexibilização das taxas será mais defensivo. A inflação mais elevada e o ambiente de aperto financeiro contribuem para a revisão para baixo do crescimento econômico brasileiro, que passou a ser estimado em 1,9% para 2026.
Impactos diferenciados entre países da região
O relatório destaca que os efeitos do choque energético e do aperto financeiro não são uniformes na América Latina. Países como México, Chile e Peru, que são importadores líquidos de petróleo, devem enfrentar maior pressão econômica, com cortes nas previsões de crescimento. Já o Equador teve sua estimativa revisada para cima, beneficiado pelas receitas provenientes das exportações de petróleo. Além disso, o aumento nos custos de fertilizantes, fretes e seguros internacionais pressiona os preços dos alimentos e produtos importados em toda a região.
Estratégias fiscais e possíveis cenários para 2026
Os governos latino-americanos adotam diferentes estratégias para mitigar o impacto do aumento dos preços do petróleo. Alguns, como Chile e Peru, optaram por repassar o custo aos consumidores, o que causa inflação imediata mais forte. Outros, como Brasil, México e Colômbia, tendem a utilizar subsídios e desonerações fiscais, o que pode pesar nas contas públicas. Em um cenário mais severo, o Goldman Sachs alerta que os bancos centrais podem precisar priorizar o crescimento econômico, adotando intervenções cambiais e políticas comerciais para evitar colapsos mais profundos na atividade econômica.
Este panorama reforça a importância da alta do petróleo como fator determinante das políticas econômicas e da inflação no Brasil e na América Latina em 2026, com impactos que vão além do setor energético e refletem na vida cotidiana dos consumidores e na dinâmica dos mercados regionais.
Fonte: www.infomoney.com.br
Fonte: Reuters