FAB recebe primeiro caça F-39 Gripen produzido no Brasil e marca avanço histórico na indústria de defesa
Aeronave supersônica desenvolvida em parceria entre Embraer e Saab simboliza autonomia tecnológica, modernização da Força Aérea e novo patamar estratégico para o país.
Entrega do primeiro caça supersônico produzido no Brasil
A Força Aérea Brasileira (FAB) recebeu, nesta quarta-feira (25), o primeiro caça F-39 Gripen fabricado em território nacional. A entrega ocorre em uma data simbólica, o Dia do Especialista da Aeronáutica, e representa um marco histórico para a aviação brasileira, consolidando o país como produtor de aeronaves de combate de alta tecnologia.
O modelo faz parte de um programa estratégico firmado com a empresa sueca Saab, em parceria com a Embraer, que prevê não apenas a aquisição, mas também a transferência de tecnologia e o desenvolvimento da capacidade industrial brasileira.
Transferência de tecnologia e fortalecimento da indústria nacional
Diferentemente de compras tradicionais de equipamentos militares, o programa do Gripen envolve a absorção de conhecimento em áreas críticas, como engenharia de sistemas complexos, integração de sensores, desenvolvimento de software embarcado e processos avançados de fabricação aeronáutica.
Mais de 300 engenheiros brasileiros participaram de treinamentos na Suécia ao longo do projeto, que também impulsionou a geração de cerca de 2 mil empregos diretos e até 10 mil indiretos. A Embraer atua como peça central nesse processo, sendo responsável por etapas-chave da produção e pela consolidação da tecnologia no país.
O contrato prevê a entrega de 36 aeronaves, em um investimento estimado em US$ 4 bilhões. Até o momento, unidades já haviam sido entregues ao Brasil, mas produzidas no exterior. A nova fase marca o início da fabricação em solo nacional.
Capacidade operacional e desempenho do F-39 Gripen
O F-39 Gripen é um caça supersônico de última geração, capaz de atingir velocidades de até 2.500 km/h, o equivalente a aproximadamente duas vezes a velocidade do som (Mach 2). A aeronave possui autonomia de até duas horas e meia de voo e pode realizar reabastecimento em pleno ar, ampliando significativamente seu alcance operacional.
Entre seus principais sistemas estão o radar de varredura eletrônica ativa, sensores com cobertura de 360 graus e arquitetura integrada que permite a troca de dados em tempo real com outras plataformas, elevando a consciência situacional em operações militares.
O armamento inclui o míssil Meteor, com alcance superior a 200 quilômetros e capacidade de manter velocidade elevada durante todo o trajeto, além do IRIS-T, utilizado em combates de curta distância. O caça também conta com sistemas de guerra eletrônica, alerta de ameaças, interferência em radares inimigos e geração de alvos falsos.
Testes operacionais e integração à defesa aérea
Nos últimos meses, o F-39 Gripen passou por uma série de exercícios operacionais que validaram suas capacidades em cenários reais. Durante a Operação Thor, realizou lançamentos de armamentos ar-superfície. Já na Operação BVR, executou disparos do míssil Meteor, comprovando sua eficiência em combates além do alcance visual.
Outro avanço ocorreu na Operação Samaúma, com a certificação do reabastecimento em voo em conjunto com o KC-390 Millennium, ampliando o raio de atuação da aeronave. O caça também realizou testes com o canhão de 27 mm e passou a integrar o sistema de Alerta de Defesa Aérea na Base Aérea de Anápolis, entrando em plena prontidão operacional.
Impacto estratégico e tecnológico para o Brasil
A incorporação do F-39 Gripen representa um salto significativo na capacidade de defesa do país e reforça a soberania do espaço aéreo brasileiro. Além do aspecto militar, o programa atua como um catalisador para o desenvolvimento tecnológico, com potencial de avanço em áreas como inteligência artificial, sistemas autônomos e guerra eletrônica.
Com a produção nacional do caça, o Brasil passa a integrar um grupo restrito de nações com domínio sobre etapas estratégicas da fabricação de aeronaves de combate, reduzindo a dependência externa e fortalecendo sua posição no cenário internacional.
Mais do que modernizar sua frota, o país dá um passo decisivo para consolidar uma base industrial e tecnológica capaz de sustentar, de forma independente, sua presença na era supersônica.
Fonte: Informações institucionais da FAB, Embraer e Saab
Fonte: FAB/Divulgação